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Como surgiram as opções?

Agora que você já conhece a idéia principal por trás das opções e como elas podem estar presentes em nosso cotidiano, é hora de saber como elas surgiram.

Existem relatos que fazem um paralelo entre os modelos de contrato de opções atuais e como surgiram seus embriões no passado.

As histórias são várias, algumas inclusive encontradas na bíblia, como o caso de Jacob, que trabalhou por sete anos para Laban, pai de Raquel, para obter o direito de se casar com ela. Se fossemos contar essa história com os termos que caracterizam as opções atualmente, poderíamos dizer que Jacob comprou uma opção de compra pagando um prêmio de sete anos de trabalho para ter o direito, mas não a obrigação, de se casar com a filha de Laban.

Outra história conhecida é a de Thales, antigo filósofo Grego da cidade de Miletus. Com seus conhecimentos adquiridos através do estudo das estrelas, ele previu com nove meses de antecedência uma excelente colheita de azeitonas.

Com base nessa previsão, Thales foi inteligente o bastante para procurar os donos de prensas de azeitonas, que serviam para transformar a azeitona em azeite de oliva, e fazer uma oferta pela exclusividade de uso dessas prensas durante a próxima colheita. Como ninguém acreditava que Thales pudesse prever a próxima colheita com noves meses de antecedência, os donos das prensas aceitaram a oferta, pois, assim, também poderiam se proteger e garantir algum lucro caso a próxima colheita fosse fraca. Thales tinha acabado de comprar opções de compra pelo uso das prensas.

A previsão de Thales estava correta e a colheita foi ótima naquele ano. A demanda pelas prensas estava enorme. Thales então revendeu suas opções de uso exclusivo das prensas com lucro fabuloso. Usando os termos das opções, Thales pagou um prêmio pelo direito, mas não pela obrigação, de exercer uma opção de compra, ou uso, das prensas e os revendeu com lucro no futuro. Repare que, caso a colheita tivesse sido fraca, Thales não precisaria exercer seu direito, perdendo apenas a quantia inicial (prêmio) paga pela aquisição do direito.

O marco na história das opções
Uma rápida pesquisa pela internet será capaz de encontrar diversas outras histórias, mas talvez a mais famosa seja o caso das tulipas, que aconteceu na Holanda. É considerado um marco, pois é o primeiro relato das conseqüências que as opções podem trazer quando são utilizadas não como forma de proteção e controle de risco, mas sim como forma de especulação.

Na Holanda do século 17, o principal mercado da época não era o de ações ou produtos, mas sim o de tulipas. As tulipas foram introduzidas pelos turcos e em pouco tempo se tornaram sensação entre os ricos na Holanda. Por isso, essa época também é conhecida como Tulipamania.

Para se ter uma idéia do tamanho da loucura que acometeu os holandeses naquela época, para se comprar apenas um bulbo da flor eram necessárias 24 toneladas de trigo. Em 1624 uma tulipa do tipo Semper Augustus custava o preço de uma casa espaçosa no centro de Amsterdã.

A valorização irracional das tulipas fez com que produtores e intermediários começassem a fechar contratos futuros, os chamados “windhandel” (negócio de vento). Esses contratos nada mais eram que opções de compra e venda de tulipas.

Não demorou muito para que esses contratos passassem a ser negociados livremente apenas como forma de especulação, afinal, com a alta valorização das tulipas, esses direitos também passaram a valer mais, e especuladores preferiam vendê-lo com lucro ao invés de exercerem seus direitos de compra das tulipas. Dessa maneira, os contratos passaram a não mais ter o ativo-objeto (tulipas) como referência.

Quando o mercado percebeu que as tulipas não valiam o preço pelo qual estavam sendo negociadas, a bolha estourou. Os especuladores passaram a vender seus direitos e os que não conseguiam vender, também não tiveram como honrar seus compromissos. Foi o caos.

O que se deve levar dessa história é que enquanto os direitos eram negociados como forma de proteção do ativo-objeto, tanto para comprador quanto para vendedor, não existia risco (ou o risco era baixo) de quebradeira e insolvência, pois os negociantes ou possuíam os ativos para entregar, ou os compradores adquiriam uma quantidade de opções que pudessem honrar no futuro.

Quando os direitos passaram a ser negociados como forma de especulação, os negociantes deixaram de lado a relação com o ativo-objeto e pouco se importavam se teriam condições de honrar seus compromissos futuramente, uma vez que seus objetivos eram revender esses direitos com lucro.

Quando veio a quebradeira e esses direitos passaram a ser vendidos desesperadamente para fugir do compromisso, muitos não conseguiram se livrar, pois ninguém mais queria ter esses direitos em mãos e, assim, não conseguiram honrar seus compromissos. Essa é a principal lição das opções.

Como surgiram as opções como conhecemos hoje em dia?
Foi em 1973 que as opções como conhecemos hoje em dia surgiram, quando a CBOT (The Chicago Board Of Trade), ou bolsa de Chicago, abriu a CBOE (Chicago Board Options Exchange).

Até então, os negócios envolvendo opções não possuíam um padrão de negociação e cada nova negociação deveria ser acertada individualmente entre compradores e vendedores.

Com o surgimento da padronização, as opções passaram a ser negociadas com parâmetros pré-definidos, como: lote, preço de strike, data de exercício, etc. Também ficou mais fácil acompanhar as cotações disponibilizadas pela bolsa, uma vez que representavam um grupo padronizado de opções.

Enquanto o mercado de opções crescia, os mecanismos de defesa e gerenciamento de risco também cresciam, para garantir que todos os participantes pudessem honrar seus compromissos. Além disso, sistemas de formação de mercado também garantiam o mercado secundário de opções, para que titulares e lançadores pudessem negociar ou revender suas opções.

No primeiro dia de negociações, 26 de abril de 1973, a CBOE negociou 911 contratos de 16 ações. De lá pra cá, o mercado de opções cresceu cada vez mais e se firmou como um importante mercado para diversas economias do mundo inteiro.
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luishcfraga
07/11/2010 às 20:31:11
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Belo Horizonte - MG
A tulipamania é mostrada no filme Wall Street 2: o dinheiro nunca dorme. É muito bacana poder entender como foi esse movimento desde o início. Obrigado pela pequena, mas importane, aula de história.

Abraços.
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Sinésio
16/11/2010 às 23:52:19
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Campinas - SP
luis, é interessante conhecer um pouco da história dos mercados e observar que, guardadas as devidas proporções, a história se repete ao longo do tempo devido a cobiça, ganância, pânico, etc. Um abraço!
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